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Menopausa muda o cérebro; conheça três medidas que ajudam a protegê-lo

O declínio de estrogênio traz impactos também na saúde cerebral, mas há maneiras de preservar as funções cognitivas

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PorAlisha Haridasani Gupta
6min de leitura

THE NEW YORK TIMES – Nos Estados Unidos, cerca de 6 milhões de adultos com mais de 65 anos têm Alzheimer. Quase dois terços deles são mulheres – uma discrepância que os pesquisadores há muito atribuem à genética e à maior expectativa de vida das mulheres, entre outras razões. Mas há um consenso crescente de queamenopausa também pode ser um importante fator de risco para o desenvolvimento de demência mais tarde na vida.

As mulheres que passam por essa fase da vida, clinicamente definida como o fim da fertilidade, enfrentam tantas mudanças no cérebro quanto nos ovários, disse Lisa Mosconi, neurocientista e diretora da Iniciativa Cérebro Feminino da Weill Cornell Medicine. Embora a grande maioria das mulheres enfrente essas mudanças sem maiores consequências para a saúde a longo prazo, cerca de 20% desenvolverão demência nas décadas seguintes.

O cérebro feminino é rico em receptores de estrogênio, especialmente em regiões que controlam a memória, o humor, o sono e a temperatura corporal, e todos “funcionam perfeitamente quando o estrogênio está alto e consistente”, disse Mosconi. O estrogênio também é vital para a capacidade do cérebro de se defender contra danos e o envelhecimento.

Declínio do estrogênio durante a menopausa pode alterar o funcionamento e a estrutura do cérebro, levando a muitos dos sintomas típicos dessa fase. Foto:Insta_photos/Adobe Stock

O declínio do estrogênio durante a menopausa altera não só o funcionamento de algumas regiões do cérebro, disse ela, mas também, ao que parece, a estrutura do cérebro: exames de imagem mostram volume reduzido em cérebros na menopausa em comparação com cérebros de homens da mesma idade e com os de mulheres na pré-menopausa.

Essas alterações neurológicas podem ser responsáveis por alguns sintomas da menopausa, como ondas de calor, variações de humor e um leve declínio, geralmente temporário, da memória e da cognição.

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Elas também se assemelham a alterações no cérebro que precedem a demência, disse Lisa Mosconi. “Algumas das regiões do cérebro afetadas pela menopausa são também algumas das regiões afetadas pelo mal de Alzheimer”, afirmou ela, mas essa ligação não é totalmente compreendida.

Os próprios sintomas da menopausa, como falta de sono e ondas de calor, também têm sido associados à demência. Um estudo publicado em 2022 descobriu que as ondas de calor estavam associadas a um aumento na quantidade de pequenas lesões no cérebro, que são um sinal de declínio da saúde cerebral, disse Pauline Maki, professora de psiquiatria e diretora do Programa de Pesquisa em Saúde Mental Feminina na Universidade de Illinois, em Chicago, e coautora do estudo.

Um estudo mais recente determinou que as ondas de calor durante o sono estavam associadas a um aumento nos biomarcadores sanguíneos do mal de Alzheimer que servem como indicadores precoces da doença.

Embora essa pesquisa pareça alarmante, o cérebro e a função cognitiva da maioria das mulheres se estabilizam após a transição da menopausa, disse Pauline Maki. “Pense em quantas mulheres passam pela menopausa – todas as mulheres, certo? E 80% delas não terão demência”, disse ela. “Não podemos dizer que essa transição universal é uma catástrofe.”

Além disso, há coisas que você pode fazer para melhorar sua saúde e cognição diante do declínio do estrogênio.

Três etapas para proteger seu cérebro

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Vários estudos descobriram que até 40% dos casos de demência poderiam ser evitados, disse Jessica Caldwell, diretora do Centro de Prevenção do Alzheimer Feminino da Cleveland Clinic, em Las Vegas. E algumas mudanças no estilo de vida na meia-idade, como parar de fumar, reduzir o consumo de álcool, dormir melhor e permanecer mental e socialmente ativa, ajudam na prevenção.

Mas, para as mulheres na menopausa, os especialistas dizem que três coisas em particular são susceptíveis de ter o maior efeito, abordando tanto os sintomas a curto prazo quanto o risco de demência a longo prazo.

  • Terapia hormonal, na hora certa

Durante décadas, os pesquisadores se preocuparam com a possibilidade de a terapia hormonal utilizada para tratar os sintomas da menopausa estar associada a um risco aumentado de demência em mulheres mais velhas. Mas pesquisas recentes, entre elas uma publicada no mês passado que revisou as descobertas de mais de 50 estudos, analisam mais de perto o momento da terapia e sugerem um quadro mais matizado: a terapia hormonal iniciada na época em que começaram os sintomas da menopausa foi associada a um risco reduzido de mal de Alzheimer e demência.

Outros estudos descobriram que a terapia hormonal não teve efeito sobre a demência e o risco de Alzheimer, disse Maki, mas esses tratamentos são eficazes no tratamento de ondas de calor e suores noturnos, bem como na melhoria da qualidade de vida, que são “fatores importantes da saúde do cérebro”, disse ela.

A inatividade física apresenta um risco maior de doenças neurodegenerativas nas mulheres do que nos homens, disse Caldwell. “Sabemos que a inatividade física é um fator de risco para demência. E ao longo da vida as mulheres têm, em média, duas vezes mais probabilidade de serem fisicamente inativas do que os homens”, disse ela.

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Um estudo de 2018 que acompanhou quase 200 mulheres de meia-idade durante 44 anos revelou que, quanto maior o nível de aptidão física no início do estudo, menor o risco de desenvolver demência mais tarde na vida. E Mosconi descobriu que exames cerebrais de mulheres de meia-idade fisicamente ativas tinham menos biomarcadores de Alzheimer do que os de mulheres sedentárias.

  • Dieta saudável

Nos últimos anos, pesquisadores descobriram que certas dietas, como a dieta mediterrânea e a dieta MIND, que dão prioridade a vegetais, frutas, cereais integrais, proteínas magras e gorduras saudáveis, estão associadas a um risco reduzido de demência tanto em homens quanto em mulheres.

A dieta mediterrânea, em particular, parece ser uma ferramenta de proteção mesmo para mulheres com risco genético para Alzheimer, disse Mosconi. E pode haver um benefício adicional específico dessas dietas ricas em vegetais para as mulheres: pesquisas preliminares sugerem que certas bactérias intestinais – que são nutridas por uma dieta rica em vegetais – podem ajudar a equilibrar os níveis de estrogênio no corpo.

Muitas dessas mudanças no estilo de vida tomam um tempo que muitas mulheres de meia-idade sentem que não têm, disse Caldwell.

“A sociedade espera que nos coloquemos depois de todos os outros, sejam filhos, pais ou cônjuges, mas precisamos nos manter na lista de prioridades”, disse ela. “Porque, se não adotarmos esses comportamentos de manutenção da saúde, não teremos o envelhecimento cerebral saudável que desejamos.”

Este artigo foi originalmente publicado no New York Times./ TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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